Se não é mas pois...
EM ESTADO IMPENSAMENTAL
GONÇALO PÕE O CHAPÉU NA ULEMÁ E VAI PRÁ ESTUFA BRINCAR COM PALPITES DE MARGARINA ATÉ À GELOSIA LÁ. CUIDADO COM A ESGRIMISTA DACTILOGRAFADA... E VAI DEPRESSA PORQUE O PENEDO AMBIDESTRO ESPREME-SE À VELOCIDADE DA TORNEIRA ENSARDINHADA GOTA A GOTA.
À espera do cão amareloO cão amarelo estava no cimo de uma sombra branca.
O cão amarelo era a imagem que todos viam de costas.
O cão amarelo era todo ele, selénio pela rua.
Pela rua do selénio, vivia um cão amarelo.
O cão amarelo emitia latidos, gargalhadas, sons, que, certamente ultrapassavam todas as galáxias para além do imaginável.
O cão amarelo era algo de impensável.
O cão amarelo era quatro patas e um latido que a todos aterrorizava, cheio de palavras, pela noite.
Selénio!
Selénio!
Gritava o cão amarelo em latidos fustigados pelo vento que lhe açambarcava três das quatro orelhas que possuía muito antes de ter nascido.
O cão amarelo era um olho grande muito aberto que nada via.
O cão amarelo nada via, vivia!
O cão amarelo viajava pela cidade e contava todas as pedras de cor.
Apesar de nunca saber contar, nada.
O cão amarelo não era nada.
O cão amarelo era o observador da rua.
Era observador de si próprio.
Observador das gentes que iam para o barco.
-“Oh gentes que vão para o barco…contai-me de onde vindes…e não digam de por onde andeis…” dizia o cão amarelo.
Pois eu sei tudo sobre o passado e nada sobre o futuro.
Eu sou o cão amarelo de selénio.
Eu sou o cão amarelo do silêncio.
O silêncio que está por todo o lado.
O silêncio está dentro de mim.
Auauauauau
Na rua, as gentes diziam…
Algumas temerárias…
Au au au
Outras refractárias, algumas eram apenas como um azulejo,
reflectido nos mares.
De Setúbal a Tróia.
Havia quem tivesse dito que muitas noites,
apenas teriam visto o cão amarelo.
Au au au au
Com sombra branca.
A navegar por mares nunca antes.
Descobertos pelos cães amarelos.
O cão amarelo era cidadão do mundo.
O cão amarelo era dissidente contemporâneo.
Ressalvado por todas as ressalvas.
Inoportunamente nascido num século que não era o seu.
O cão amarelo era de todos os séculos.
O cão amarelo estava ali fixo na sua sombra branca.
O cão amarelo era fixo ao céu-da-boca do mundo.
Que tinha inventado dentro de si e que ninguém mais conhecia,
a não ser aqueles que um dia acreditaram no cão amarelo.
Que ficaram a pensar que ele até podia ser Deus.
Há quem diga que Deus ficou a pensar que podia ser o cão amarelo.
Porque o cão amarelo vê tudo.
Sabe tudo.
Imagina tudo.
Chamam-me o cão amarelo, e sou omnipresente!
Auuuuuuuu
Tem tudo e não tem nada.
Sou o nada e sou o tudo.
Presentemente vou pelos mundos que poucos de vós conhecerão.
Olham para mim e vêem apenas um cão…
Amarelo.
Olham para mim e vêem apenas um cão…
Amarelo.
Mas acreditem!
Eu sou com pelo.
Eu sou cerebelo.
Eu sou hipotenusa.
Eu sou uma medusa canina.
Eu sou um cavalo.
Eu sou uma luz.
Auuuuuuuuuu
Eu sou uma lâmpada estrelar com muitos quilos de anos às costas indefinidos.
Eu vivo onde nada existe.
Auuuu rrrrrrrr Auuuu rrrrrrr
Eu me revelo no que nico e desapareço na realidade.
Sou o químico revelado, transfigurado, anatómico.
Sou o sangue das patas para as orelhas.
Sete, tenho contado, tudo ouço.
Tenho três bocas, quatro caudas.
Tenho amarelo de todas as cores.
Nas sete cabeças.
Tenho 439 metros.
Tenho 5300 anos.
Sou o silêncio e sou o caos.
Sou o princípio e sou o recomeço.
Sou a finalidade indefinida, daquilo que nunca começou.
Rrrrrrrrrr...Auauau
Agora podem olhar para mim.
Que já tenho sombra preta.
rectangular de plástico, às riscas.
Alguém me levanta, alguém me mergulha.
Sou feito de papel e osso.
Ando pela calçada, de papel, oiro e prata.
Tudo o que podeis pensar.
Rrrrrrrrrrrrrr
Auuuuuuuu
O cão amarelo revela-se a si próprio.
Só vê quem quer.
O cão amarelo tem a cor vermelha.
O cão amarelo é amarelo… e basta!!!
Ao mundo dos passantes que passam sem o verem.
Porque é tão comum.
Porque ele é tudo, é cão amarelo.
Sobre a casa uiva, na noite…na Lua…
É o cão amarelo!
É a cor preta e branca.
Auuuuuuuuu
É o cão amarelo!
O cão que está à espera que…
É o cão amarelo!
Auuuuuuuuu
…Pensem!
É o cão amarelo!
É o cão amarelo!
É o cão amarelo!




Uma deslumbrada sentia-se pendente pela falta dos talões de aprazimento, o estupor surripiou me os inteiramente e, desvaira-se ao capitular no curativo.
Umaesgrimistadactilografadadentrodeumassombrada
Intrépido o Risco resvala o deliro convulsivo, figura em magote tempestuoso, lembrança de uma emissão de acelerómetros. Acariciado no regozijo, aniquila calejado contingente, é de obscuridade, na qual o Risco reassume. O exício do Risco senta-se com estrita mente permeável dês de ir laico patente por celsitudes: compara encalço sobre transição.




A Ulemá nas suas expressões de consortes femininas de aptidão dá a adelgaçada sensibilidade da prolificação.
















O Gonçalo recusa há cadência
Expresso inseparável inteireza arreliada e prejuízos patentes.
É melhor no maciço prescindir que organismos desprezados.
Estacar, impulsionar, a universalidade é que nos padece.
Soberania ininterruptamente ter peras e fulanas transgressoras,
Ou supor que o juízo desamparado, do arcaboiço da vacuidade, uma luminosa simulação.
O obstáculo tem de contrair a totalidade do que completei
E, se estalar, reconhecerei o superintendo
Da imperfeição que produzi e a igual mente do temperamento.
Amputar um antiquado afecto, esfola radicais,
Comprimir aos calmantes as ternuras transactas
Recusa há melodia da pêra tanto fragosa da Rosa.